Conheça os modelos antes de comprar

Robusto e com bom desempenho, o Ranger conquista usuários variados, mas o custo do seguro assusta |
Ele pode ser considerado um veículo para os mais diferentes usos: atende à empresa ou ao fazendeiro que precisa de um veículo de carga, ao aventureiro que gosta de pegar a estrada — ou sair dela — com uma moto ou bicicleta na caçamba, à família que sai de férias à praia ou ao campo. Tudo isso com preço a partir de R$ 12,5 mil.
O picape médio Ford Ranger desembarcou no Brasil em 1994, importado dos EUA, em duas versões, de cabine simples (XL) e estendida (STX), com o potente motor V6 de 4,0 litros, 162 cv e 31,1 m.kgf de torque, além de tração traseira. Suas linhas, levemente arredondadas, agradavam frente aos concorrentes Mitsubishi L200 e Toyota Hilux. O interior seguia o desenho da carroceria e, meses depois, recebia um painel mais moderno, bem-equipado e construído com materiais agradáveis ao tato. Direção com assistência hidráulica e freios antitravamento (ABS) nas rodas posteriores eram de série. |
XL de cabine simples e motor V6, a primeira versão do Ranger a chegar dos EUA
A versão de topo STX vinha com grade e pára-choque cromados, rodas de alumínio e adesivos nas laterais da caçamba. O motor permanecia inalterado. Ar-condicionado e conjunto elétrico vinham de série. Dois anos depois começava a vir da Argentina a versão XL de cabine simples com motor de quatro cilindros e 2,3 litros. A potência era de 114 cv, suficiente para um carro para o trabalho, e era mais econômico que o V6. Os equipamentos eram os mesmos, mas as rodas passavam de 14 para 15 pol.
Estimulada pelo sucesso do nacional Chevrolet S10, a Ford resolveu investir no Ranger em 1998. Fabricado na Argentina, recebeu uma reestilização na dianteira, ganhando faróis com luzes de direção em sua parte inferior, capô e pára-lamas redesenhados, pára-choques e grade de desenho mais imponente. Na traseira, apenas novas lanternas. O interior tinha bancos remodelados.
|
Mais conforto com os bancos individuais, um item que deve ser observado na compra
As opções de motores, tração, versões, cabines e caçambas se ampliavam em muito. A cabine dupla chegava juntamente com duas opções de caçamba para a cabine simples: curta (1,5 metro de comprimento ou 6 pés) e longa (1,8 m ou 7 pés). A cabine dupla tem caçamba de 5 pés. O motor Maxion HS4 turbodiesel, de 2,5 litros e 115 cv, estreava enquanto que o quatro-cilindros a gasolina passava para 2,5 litros e 121 cv; o 4,0 V6 permanecia. Tração 4x4 com acionamento elétrico no painel e reduzida, opcional, e suspensão dianteira mais robusta também eram novidades.
| Assim, as versões eram muitas. O XL vinha com cabine simples ou dupla, caçamba curta ou longa, motor 2,5 a gasolina ou turbodiesel (este com tração 4x4 opcional). O STX era substituído pelo XLT, com pára-choques e grade cromados, rodas de alumínio de 15 pol, ar-condicionado, direção assistida e conjunto elétrico. Com cabine simples e caçamba curta, tinha motor 4,0 V6 e tração 4x2. Já a cabine simples com caçamba longa e a cabine dupla podiam ser equipadas com motores V6 e diesel, além de tração 4x2 e 4x4.
|
A reestilização de 1998 o deixou mais imponente; interior agradável é um ponto positivo
A interessante versão Supercab, com cabine estendida, portas traseiras que se abriam em sentido inverso e sem coluna central, era lançada em 2000. As versões eram XL 2,5 gasolina ou turbodiesel (4x2 ou 4x4) e XLT 4,0 e 2,5 turbodiesel, também com duas opções de tração. Em 2001, o 2,5-litros a gasolina era substituído por um 2,3 16V de 137 cv e 21,2 m.kgf de torque, e o 4,0 V6 ganhava comando de válvulas no cabeçote, passando de 160 para 210 cv.
No ano seguinte foi a vez do diesel: saía o Maxion 2,5 e entrava um moderno International de 2,8 litros com turbo de geometria variável (TGV), 135 cv e 38,2 m.kgf. O mesmo ano marcou o fim da caçamba longa e a chegada do Ranger Limited, série especial baseada no XLT cabine-dupla que adicionava bancos de couro, bolsas infláveis duplas, "santantônio", retrovisores e estribos laterais cromados. O XL passou a oferecer motor 2,8 diesel com turbo convencional e 132 cv.
|
Pára-choques e grade cromados, rodas de alumínio e interior mais equipado no XLT
Rápido e valente Robustez, desempenho, acabamento e suspensão são alguns dos destaques apontados pelos proprietários do Ranger. “Imponência, motor e o ABS fazem da Ranger uma picape segura e prazerosa de dirigir. A potência nas ultrapassagens denota a segurança que se espera de um carro robusto e macio, guardadas as proporções da suspensão, que pode melhorar. Instalei um kit de gás GNV e ela mesmo assim responde bem”, elogia o dono de um Ranger XL 4,0 1996.
“Motor silencioso, bom acabamento (bem melhor do que a S10), design bonito, acionamento da tração 4X4, robustez mecânica e suspensão confortável”, destaca um proprietário a bordo de um XLT 4,0 4x4 1998. Outro, aprecia o baixo consumo de seu Ranger XLT 2,5 turbodiesel 2001: “12 km/l na cidade a 17 km/l na estrada. Motor potente que permite que o motorista troque poucas vezes as marchas”.
|
“Muito valente em terrenos irregulares, vencendo facilmente trechos em lama, aclives com erosão e até mesmo locais com até 80 cm de água. Dos 40.000 km rodados, aproximadamente 20.000 km foram em estradas de terra e morros, não tendo nunca me deixado na mão”, analisa o dono de um XLT Cabine Dupla 4,0 4x4 1998.
|
Do 2,3 a gasolina ao 4,0 V6, passando pelos diesels, são várias as opções de motorização
Entre os defeitos, destaque para o alto consumo do motor 4,0 V6, preço do seguro, suspensão dianteira dos modelos antes de 1998, pouca aderência no eixo traseiro e falta de espaço no banco traseiro da cabine dupla. “Consumo extremamente alto. Cada vez que vou encher o tanque, dá quase um salário mínimo de gasolina. Na cidade, o consumo é de 5 km/l e na estrada quase 9 km/l, um absurdo”, reclama o dono de um Ranger STX 4,0 Supercab.
“Os modelos até 1997 têm a suspensão dianteira muito macia, fazendo com que a frente do carro balance muito. Com pouco meses de uso, a frente fica desnivelada com relação à traseira. Este defeito já foi sanado nas Rangers mais novas (a partir de 1998)”, alerta o proprietário de um XL 4,0 1997.
|
Painel completo é padrão; itens como "santantônio" são comuns no mercado de usados
“A tração em terreno arenoso é duvidosa, pode ser que por estar utilizando pneus originais se tenha dificuldade em transpor este terreno”, afirma o carioca Alexandre Perali, dono de um XLT 2,5 4x4 1998. “O desconforto do banco traseiro, pois os ocupantes ficam com as pernas muito levantadas”, finaliza o proprietário de um Ranger XLT Cabine Dupla 4,0 1999.
O grau de satisfação é alto. Mas, como já apontado, o seguro do Ranger, assim como o da maioria dos utilitários, tem valor alto. Um pai de família de 40 anos (com nível universitário, garagem no trabalho e na residência) que conduza um Ranger XLT 2,5 Turbodiesel 1999 pela região metropolitana de São Paulo paga R$ 4.716 de seguro, com franquia de R$ 1.800.
|
Por fora e por dentro, modelos recentes (como este 2002) pouco diferem dos de 1998
Se a opção for por um XL 4,0 1997, o valor fica em R$ 3.500, com franquia também de R$ 1.800. Os valores variam conforme o perfil de uso do proprietário. Uma solução que vem se tornando comum entre os donos de picapes, sobretudo a diesel, é a utilização de rastreadores via satélite, celular ou rádio, que facilitam a recuperação em caso de roubo ou furto e, assim, diminuem o valor da apólice em até 30%. Custam, em média, R$ 1.500 e têm mensalidade de cerca de R$ 40.
| Se você procura o Ranger para o trabalho, prefira a cabine simples e os motores 2,3 ou 2,5 a gasolina ou, se roda muito, o diesel 2,8. Para quem é solteiro e quer o Ranger para lazer, o 4,0 V6 anda bem, porém é muito gastador. O 2,5 é mais contido no consumo e no desempenho. Para a família, cabine dupla.
|
Bolsas infláveis e toca-CDs vêm só no XLT; caçamba riscada pode indicar carro de trabalho
Quem roda menos pode ficar com o XL 2,5 ou o XLT 4,0 — bem-equipado, mas de consumo alto. Se você viaja bastante, o diesel é boa opção pela economia de combustível, mas considere a desvantagem do alto nível de ruído. Vale a pena procurar sempre o XLT, mais completo e pouca coisa mais caro que o XL. E, se puder escolher, com o motor 2,8 TGV, mais potente e moderno que o 2,5.
Para todas as versões, examine atentamente o estado da caçamba e de suas laterais. Muitos riscos indicam veículo de trabalho, provavelmente com suspensões, embreagem e motor bastante desgastados. Preste atenção às lanternas traseiras e ao interior — se estiverem encardidos indicam uso freqüente em estradas de terra. Os pneus devem estar bons, pois a troca de quatro unidades supera os R$ 1.300. A conversão para GNV tem sido comum nos motores a gasolina com resultado muito bom, devido ao espaço para o cilindro na caçamba e ao bom torque, em especial no 4,0 V6.
|
A cabine dupla atrai muitas famílias, mas um automóvel oferece mais conforto
O Ranger é bom para uso comercial e para o lazer. Além de robusto, oferece bom nível de conforto — para um picape, claro — e caçamba de tamanho adequado. Para os solteiros pode ser boa opção a um modelo médio, e para as famílias, um concorrente mais barato que os utilitários esporte.
|
Atenção aos modelos trazidos por importadores independentes | Como em meados de 1994 e 95 a nossa moeda era mais estável e as taxas para importação mais amenas, muitos importadores trouxeram modelos que não eram trazidos oficialmente pela Ford, como as Rangers Splash e modelos com motores V6 de 3.0 litros. Além de uma infinidade de combinações de paineis sem contagiros e cabines estendidas menos luxuosas (sem espelhos e bancos elétricos, faróis de neblina, sem parachoques e grades cromadas, etc).
Deve-se usar o bom senso e ter em mente que, com exceção da Splash (que é rara e procurada pelo jovens), os demais modelos podem ser passíveis de uma pechincha camarada. Principalmente se o motor for o 3.0, já que as peças de reposição são bem mais difíceis de encontrar. E atenção, não caia na conversa de vendedores dizendo que o motor 3.0 anda mais que o 4.0, pura lorota.
O vendedor deve fornecer uma das vias da guia de importação para que o comprador possa transferir e regularizar o veículo, caso contrário a dor de cabeça é grande. Alguns "segundos donos" desconhecem esta informação e acabam perdendo este documento. |
Compare as principais versões
|
Cabine simples
| XL 4,0 V6
| XL 2,3
| XL 2,5 / 2,3 16V
| XL turbo diesel
| XLT 4,0 V6
| Faixa de preço (R$)
| 12,5 a 15,5 mil
| 13,5 mil
| 16,5 a 30 mil
| 26 a 43 mil
| 19 a 30 mil
| Anos-modelo
| 1995 a 1997
| 1997
| 1998 a 2003
| 1998 a 2003
| 1998 a 2001
|
Cabine dupla
| XL 2,5 / 2,3 16V
| XL turbo diesel
| XLT 4,0 V6
| XLT turbo diesel
| Faixa de preço (R$)
| 23 a 42 mil
| 30 a 57 mil
| 28 a 54 mil
| 33 a 63 mil
| Anos-modelo
| 1998 a 2003
| 1998 a 2003
| 1998 a 2003
| 1998 a 2003
|
|
_
| 4,0 V6
| 2,5 gas.
| 2,8 turbodiesel
| Potência máxima
| 162 cv
| 121 cv
| 135 cv
| Torque máximo
| 31,1 m.kgf
| 20,2 m.kgf
| 38,2 m.kgf
| Velocidade máxima
| 155 km/h
| 154 km/h
| 165 km/h
| Acel. de 0 a 100 km/h
| 10,6 s
| 14,5 s
| 13,8 s
| Consumo em cidade
| 6,28 km/l
| 8,8 km/l
| 9,7 km/l
| Consumo em estrada
| 10,3 km/l
| 10,8 km/l
| 13,6 km/l
| Dados do fabricante para versões de cabine simples; foram considerados os motores a gasolina utilizados até 2001, os mais comuns no mercado
|
|
Obs.:Partes do texto foram baseadas em informações do Site BestCars.
|